Competir ou não?

Abril 1st, 2009

Esse texto é para aqueles que começaram agora na arte. Para muitas das dúvidas que tem e outras que virão, vamos tentar aplacar algumas.

Por que não competir no Aikido? O-Sensei, Morihei Ueshiba, não queria que a disputa de egos pudesse atrapalhar no desenvolvimento pessoal e da arte. Assim, ele não quis que houvesse torneios dentro do Aikido. O mais importante é a disputa diária, o crescimento pessoal de cada um. O ego é algo que atrapalha isso, como também em diversos momentos da vida. Conseguir controlá-lo, de fato, é uma jornada para um melhor aproveitamento das nossas relações.

Apesar de não ser competitivo, não podemos esquecer de que o Aikido é uma arte marcial. Como tal, não está ligado a regras que norteiam a atividade esportiva, que em um segundo plano, limitam o próprio desenvolvimento da arte.

Li hoje, uma revista marcial que entrevistava cinco kodanshas de Karate. Kodansha é um grupo seleto, formado por notáveis da arte, com no mínimo 7º Dan. Um deles disse que o verdadeiro caminho do Karate não está na pratica esportiva, mas sim no Budo. Tomo emprestado as palavras do sensei de Karate, que se aplicam a qualquer arte marcial, sobretudo de origem japonesa. O caminho para entendê-las é o Budo. Budo tem um sentido amplo, assim vamos colocá-lo para o iniciante como caminho marcial, são as artes ou caminhos marciais de origem japonesa.

Mesmo não havendo competição não significa que o praticante não deva estar preparado para o combate. O “combate” aí pode ter vários significados hoje, podendo ser seu cotidiano profissional, sua vida estudantil seu dia-a-dia e numa última instância o conflito físico real.

Só um comentário final. Após a morte do O-Sensei, muitos ex-alunos fundaram suas próprias escolas de Aikido, não ficando ligados aos desígnios do Hombu Dojo. Nessa esteira apareceu o Tomiki Aikido, que como exceção, tem competição uma vez que sensei Tomiki foi também um importante praticante de Judô.

Até a próxima.

Marcelo Freitas

Nota de Falecimento - Wilson Teixeira Jr

Março 10th, 2009

Pessoal

Eu tive a triste notícia hoje de saber que o Wilson faleceu vítima de leucemia, deixando mulher e 3 filhos. Não sei se um blog é o melhor lugar para expressar o que sinto, mas aqui vai….

Eu treinei com o Wilson em Novembro, no seminário do Yamada Sensei. Estávamos fazendo planos de treinar no do Donovan, de visitarmos a academia um do outro…começamos no Aikido praticamente juntos, acabamos nos afastando por questões políticas que nossos grupos seguiram, mas nunca perdemos o respeito e sentimento positivo. Ele gostava de Aikido e do que o Aikido passa para a frente.

Não sei se o que me chocou mais foi a velocidade com que tudo aconteceu - do diagnóstico ao falecimento - ou com o fato do tempo que perdi. Deveria ter ido vistar o Dojo dele antes e trazido ele no meu antes. Agora é só aquele sentimento de perda e impotência. Bom que Saotome Sensei escreveu - Ichi Go, Ichi E - uma vida, um encontro. Acho que neste caso perdemos um dos importantes.

Perdemos hoje um praticante que tinha muito amor pelo que fazia. Somos poucos no Aikido e cada perda é grande. Isto é bom….o AIkido faz cada perda ser maior que o normal, o que significa que nos fez mais valiosos para a gente e para o mundo. Tem pessoas que aprenderam a se mover com o Wilson, pessoas que foram influenciadas pelo treino e convivência com ele. Esta influência vai passar para a frente.

Não que diblemos totalmente a fragilidade humana com isto…mas ao menos damos a ela um Bom Combate.

Vai em paz amigo, boa jornada. Aos que ficam, saibam que ele fez a diferença.

Aluno de pouca fé!!

Fevereiro 18th, 2009

Por que procurar o Aikido dentre todas as outras artes marciais existentes? Existe uma arte melhor ou superior? O que você deseja? O que você procura? O que espera encontrar?

Muitas são as perguntas, jovem aprendiz, e posso assegurar, quando as respostas vierem, suas perguntas já serão outras!
A melhor arte marcial é aquela em que você se encontra! Se adapta! Aquela em que seu professor, sensei, sifu é capaz de lhe ensinar aquilo que você procura.

Assim, jovem aprendiz, abra sua mente. Esvazie seu copo para poder absorver os novos ensinamentos.

Estarei aqui nesse “espaço” para poder ajudá-lo em seu novo caminho, apontado
direções e tudo o mais que você posa querer dentro desse universo, o universo marcial.

“O Velho Mestre”

Fevereiro 11th, 2009

Na última aula que dei, quinta-feira passada, procurei trabalhar com aquilo que é fundamental para todos, principalmente iniciantes: técnicas básicas. Yamada Sensei explica de forma muito didática uma das técnicas a ser usada em Kokyu Dosa. Acho que não cabe aqui ficar explicando a técnica em si, mas o objetivo de treiná-la. Fortalecer sua base e conhecer movimentos básicos executados em vários katas de aikido a partir do movimento de kokyu.

Indiferente se no dojo ou em seminários, é fundamental que o estudante da arte observe com atenção o que o instrutor esta ensinando e procure fazer como ele passa. Não adianta ver e fazer da forma como esta acostumado, porque desse modo você consegue executar o movimento apenas da maneira “que você sabe”.

Como o Velho Mestre disse antes: esvazie o copo!

Sem querer ficar com cara de almanaque, cito Confúncio:

“Se eu ouço esqueço, se leio recordo, mas se eu faço aprendo”.

Kote gaeshi pra vocês!

Marcelo Freitas

Primeira Aula do ano

Janeiro 7th, 2009

Hoje foi a primeira aula do ano no Tsurugui Dojo.

Tive a honra de ser o instrutor…na verdade é que só eu e Leo aguentamos acordar cedo para dar aula toda Santa Segunda, Quarta e Sexta :)

Estava meio tenso, admito. Eu sempre chego umas 6h40 no Dojo, ligo luzes, abro tudo, fico treinando bastão e espada sozinho no tatame lutando para focar no treino solitário e não na expectativa da chegada do alunos…sempre a tremenda expectativa “quem virá para a aula”. Por mais que os anos passem a tensão é a mesma, difícil de gerenciar. Fiquei prestando mais atenção que o normal hoje nisto. Deve ser um ponto de melhoria para 2009.

Acho que as pessoas as vezes menosprezam a falta que fazem nas pequenas oportunidades do dia-a-dia, minimizam sua importância, sua essencialidade (não sei se palavra existe, ams conceito está ai). Pensam que se um instrutor não vem na aula é pior que um aluno não vir…pois o Instrutor é um só e aluos são muitos. Mas não é tão lógico assim (olhem que sou Politécnico).

Imagino como seria aquela aula que está rolando se tal pessoa estivesse ou se alguém que está no tatame não estivesse.”Foi um pensamento breve mas interessante. Um pouco inútil e errado talvez, pois o que vale é o que acontece e é onde nosso KI deve estar para não desfocarmos. Mas me permiti isto.

Vou pensar duas vezes mais antes de faltar em um treino e seminário, mesmo que tenham mais 330 alunos.

Cada parte é essencial e o todo muda mesmo com uma pequena variação. Se não percebermos isto, temos que treinar mais nossa sensibilidade, estamos com a “sintonia grossa” desajustada. Eu percebi isto hoje no tatame, onde treino meu Caminho. Mas como todo bom aprendizado no Aikido tenho que passar isto para fora do Dojo. Acho que estou perdendo detalhes, deixando coisas passarem. Pensem e compartilhem…como sentem a sua essencialidade e a desenvolvem de forma positiva? Com certeza a disciplina de presença treino é um mecanismo, mas ele pode de deve ser extrapolado para fora.

Bom, mas para minha surpresa vieram 7 alunos, o que para um treino da manhã, primeira semana do ano…é um sinal MUITO bom! Gente que estava sumida voltou…Rodrigo, Bel…fizeram muita falta, bom ter vocês de volta!

Bom ter todos de volta, bom eu estar de volta.