Esse texto é para aqueles que começaram agora na arte. Para muitas das dúvidas que tem e outras que virão, vamos tentar aplacar algumas.
Por que não competir no Aikido? O-Sensei, Morihei Ueshiba, não queria que a disputa de egos pudesse atrapalhar no desenvolvimento pessoal e da arte. Assim, ele não quis que houvesse torneios dentro do Aikido. O mais importante é a disputa diária, o crescimento pessoal de cada um. O ego é algo que atrapalha isso, como também em diversos momentos da vida. Conseguir controlá-lo, de fato, é uma jornada para um melhor aproveitamento das nossas relações.
Apesar de não ser competitivo, não podemos esquecer de que o Aikido é uma arte marcial. Como tal, não está ligado a regras que norteiam a atividade esportiva, que em um segundo plano, limitam o próprio desenvolvimento da arte.
Li hoje, uma revista marcial que entrevistava cinco kodanshas de Karate. Kodansha é um grupo seleto, formado por notáveis da arte, com no mínimo 7º Dan. Um deles disse que o verdadeiro caminho do Karate não está na pratica esportiva, mas sim no Budo. Tomo emprestado as palavras do sensei de Karate, que se aplicam a qualquer arte marcial, sobretudo de origem japonesa. O caminho para entendê-las é o Budo. Budo tem um sentido amplo, assim vamos colocá-lo para o iniciante como caminho marcial, são as artes ou caminhos marciais de origem japonesa.
Mesmo não havendo competição não significa que o praticante não deva estar preparado para o combate. O “combate” aí pode ter vários significados hoje, podendo ser seu cotidiano profissional, sua vida estudantil seu dia-a-dia e numa última instância o conflito físico real.
Só um comentário final. Após a morte do O-Sensei, muitos ex-alunos fundaram suas próprias escolas de Aikido, não ficando ligados aos desígnios do Hombu Dojo. Nessa esteira apareceu o Tomiki Aikido, que como exceção, tem competição uma vez que sensei Tomiki foi também um importante praticante de Judô.
Até a próxima.
Marcelo Freitas